terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Presente

É natal. Este é o meu presente para vocês.

Photobucket


Passa o tempo. Destruímos o velho para dar lugar ao novo. É assim a natureza e é assim a existência humana. Nasçemos, vivemos, amamos e morremos. Pelo meio criamos e recriamos. Será karma? Será destino? A vida é uma longa caminhada, que se faz caminhando, e cada dia é um passo. Dentro das minhas ansiedades gostaria de dar passos grandes, mas sou pequeno (como todos nós, humanos). É preciso coragem. Trabalho (muito!!! ai sou preguiçoso). Gostaria de ficar toda a vida a contemplar a breviedade da vida mas, e usando um termo tão típicamente existencialista, trágicamente sou impelido a caminhar para a frente. E o futuro não passa de um mistério a que o meu "complikómetro" não deixa de desligar. Mas o futuro só se constrói trabalhando no presente. Sei que é complicado fluir nos dias de hoje. Gostava eu de fluir como fluía com 16 anos... mas hoje em dia fluímos de outra forma. A poluíção da cidade é que não nos deixa ver o quanto somos abençoados. Pensamento positivo em tudo. Aceitem a tristeza. Deixem-se fluir também com a tristeza. Ela faz parte do viver. Do sentir e do saber. Não façam da tristeza um estilo de vida. Façam-no sim um ensinamento. É preciso o Outono e o Inverno para que a Primavera possa vir. São os ciclos tão bem descritos pelos sábios da humanidade. Meu interior continua o mesmo. Perdido na babilónia de homens. Quanto mais sei, sei que nada sei, e mais palavras saberei para depois descubrir que em última análise nada sei. As palavras são mais, e as relaçoes humanas também são mais (mas iguais, só o ponto histórico da nossa vida é que vai mudando). A existência de cada um dificilmente muda, pois necessita de aquilo a que chamamos humildade, e assim pode ser que talvez um dia o mundo também mude.

Vou é cada vez trabalhar mais a forma como eu me vejo a mim e tudo o que me é externo.

Só assim é que a minha existência pode mudar.

E consequentemente a forma como lido com o mundo.

E só assim poderei mudar uma gotinha do que me rodeia.



"Tudo isto são coisas, coisas que nós podemos amar. Mas não posso amar palavras. É por isso que não aprecio as doutrinas, não têm dureza ou moleza, não têm cores, não têm arestas, não têm cheiro, não têm gosto, nada têm senão palavras. Talvez seja isto que impede de encontrares a paz, talvez sejam as palavras em excesso. Porque também libertação e virtude, também Samsara e Nirvana são meras palavras. Nada existe que seja o Nirvana; apenas a palavra Nirvana." Hermann Hesse in Siddhartha

A ouvir: Miniman - En marche pour sion


Sejam felizes
Sejam livres

Não se fechem em certezas. Abram-se em dúvidas.

2 comentários:

FabíolaFernandes disse...

obrigado *

Barbara disse...

Adorei! Já tens trabalhado muito bem na forma de te veres e ver o mundo pois não posso deixar de encontrar uma sabedoria crescente nas tuas palavras. És especial e estás de parabéns por isso, já que pessoas como tu são tão raras hoje em dia...